Você já sabe como funciona o QR Code do Pix?

O padrão de código específico criado pelo Banco Central vai dar mais agilidade ao consumidor tanto na compra presencial quanto na virtual

Desde o início de outubro as instituições financeiras estão fazendo o registro das pessoas físicas e jurídicas para a utilização do Pix, o novo sistema de pagamentos implementado pelo Banco Central. Para ter acesso ao sistema, a pessoa física ou empresa precisa ter uma conta transacional (conta corrente, poupança ou de pagamento) mantida em um prestador de serviços financeiros, como um banco, uma fintech ou uma plataforma de pagamentos.

Para fazer as transações, o usuário tem três opções de acesso: por informações bancárias, como é feito hoje, Chave Pix ou QR Code. Este último é uma novidade criada pelo Banco Central para facilitar as transações financeiras, mais propriamente dos pagamentos a serem realizados em estabelecimentos e comércio.

Carlos Neto da Matera: “Não vai ser raro pessoas na rua sem a carteira, sem dinheiro e sem cartão. Se o varejista não estiver preparado para receber do celular usando o BR Code, ele pode perder vendas.”

Ele é um código de barras bidimensional que traz mais agilidade ao consumidor tanto na compra presencial quanto na virtual, pois a leitura das informações é bem rápida. Tudo que o usuário precisa ter é um celular com câmera em mãos para fotografar o código e escolher a opção de pagamento (como débito ou crédito) e até se quer parcelar.

O QR Code utilizado Banco Central, o chamado BR Code, é um padrão específico, aberto e gratuito, que comporta os requisitos do sistema de pagamentos brasileiro e possibilita o armazenamento de múltiplos arranjos em um só código. Para explicar melhor esse padrão, conversamos com Carlos Netto, CEO da Matera, empresa especializada no desenvolvimento de tecnologia para o mercado financeiro.

O que é o BR Code?
O BR Code é um padrão único para QR Codes a serem usados nos meios de pagamento no país, criado pelo Banco Central, cujo objetivo é fazer uma padronização semelhante à que ocorre nas “maquininhas” de cartão. Com isso um varejista poderá ter um único BR Code em sua loja para receber pagamentos do arranjo Pix ou dos arranjos das bandeiras de cartões de crédito.

Como será feito esse pagamento pelo BR Code?
Da mesma forma que hoje já fazemos com o QR Code, com a leitura do código pela captura da câmera e efetuando o pagamento. Ou seja, da mesma forma que acontece nas maquininhas, o usuário pagador poderá utilizar o mesmo QR Code para iniciar uma transação em diferentes aplicativos, diferentes bandeiras ou arranjos, de acordo com suas preferências.

A adoção do sistema exige preparação do varejo?
Para o BR Code em papel (estático), não exige quase preparação alguma e ainda vai ter a vantagem de economizar espaço no balcão da loja. Para o BR Code dinâmico, será preciso algum ajuste no software de automação comercial ou adotar “maquininhas” que gerem BR Code para os vários arranjos existentes no Brasil.

Qual dificuldade o varejista pode encontrar?
Se adotar o BR Code em papel, é importante o lojista ter uma forma de validar que o pagamento aconteceu. O varejista não deve confiar na tela do celular do cliente, pois é possível que haja uma imagem falsa indicando a confirmação do pagamento. Para o varejista que usa algum sistema de automação comercial ou uma adquirente que vai oferecer o BR Code, só existe mesmo o custo da adaptação e treinamento dos seus funcionários.

O que acontece com o varejista que não se adequar?
Conforme as pessoas forem se acostumando com o pagamento no BR Code via celular e tendo seus principais documentos também no celular, não vai ser raro pessoas na rua sem a carteira, sem dinheiro e sem cartão. Se o varejista não estiver preparado para receber do celular usando o BR Code, ele pode perder vendas.

Como serão essas transações?
Encostou, pagou. Bastará ter um smartphone com câmera, abrir o aplicativo do banco e fazer a leitura do QR Code. Muita gente que hoje não tem uma conta corrente nem tem um cartão vai ter acesso a uma conta corrente digital provida por alguma fintech. Isso vai reduzir todo custo associado ao numerário e reduzir o tempo de checkout.

Além disso, as pessoas que ganharem uma conta digital passam a entrar no mercado digital de crédito, podendo receber limites rotativos de crédito ou mesmo empréstimos pessoais pontuais diretamente na conta, em geral com juros menores, pois teremos menos custos operacionais e menor probabilidade de inadimplência. Com mais crédito e menos juros, é esperado que o varejo venda mais.

Haverá benefícios e vantagens para o consumidor?
Sim, o primeiro deles é que mesmo quem não tem conta bancária poderá participar desse sistema de pagamento, seja por meio de uma carteira digital ou conta digital. Ele será muito mais democrático neste sentido. O segundo ponto é que os varejistas, principalmente os e-commerces, vão poder oferecer descontos maiores na hora da venda, pois para eles é bem mais vantajoso que o dinheiro caia na hora e que o produto não fique preso na logística pela falta de pagamento do boleto, por exemplo; além de estreitar o relacionamento do varejista com esse consumidor, que poderá receber ofertas de produtos exclusivas em seu celular.

Esse tipo de operação é segura?
No setor de pagamentos, como é o caso do padrão BR Code, ele é utilizado para facilitar a iniciação de uma transação de pagamento e é uma opção eficaz e segura porque o código consegue armazenar informações como horário e local em que a validação ocorreu, além de dados de identificação do usuário. Sendo assim, é possível identificar casos de fraude, por exemplo. Esse sistema de pagamentos oferece a mesma segurança que temos hoje nos cartões e transações online. Para pagar com o QR Code será necessário entrar no aplicativo do banco, ou seja, você terá que colocar a sua senha, a sua digital, para efetuar o pagamento.

Fonte: CNDL / Varejo S. A.

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